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"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros". (Che Guevara)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Transamazônica e canteiro de Obras de Belo Monte ocupado por indígenas


Durante a madrugada de hoje (27), indígenas, pescadores e agricultores ocuparam o canteiro de obras Santo Antonio. A decisão de ocupar um dos canteiros da construção de Belo Monte e trancar a transamazônica foi tomada ontem durante o Seminário Contra Belo Monte que está acontecendo em Altamira.
A ocupação conta com cerca de 400 pessoas e, não há previsão para desobstrução tanto do canteiro quanto da rodovia. O objetivo desta ação é forçar um diálogo com representantes do Governo Federal, para conversar sobre os problemas causados pela construção da barragem.
Por Paulo Villa Real

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Empatado em 1 a 1, julgamento de Belo Monte é novamente adiado

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) adiou, mais uma vez por pedido de vista, o julgamento da ação civil pública que pede a anulação do decreto que autorizou a instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Nesta quarta-feira (26), o desembargador Fagundes de Deus não acompanhou o voto da relatora, Selene Maria de Almeida, e votou contra o pedido, deixando o placar com um voto a favor e um contra. Ao votar,  a desembargadora Maria do Carmo Cardoso pediu vista do processo, motivo pelo qual foi adiada a decisão.

Fagundes de Deus considerou que a situação está consolidada e a consulta prévia aos indígenas da região –  motivo da ação civil que está em julgamento – pode ser posterior à autorização de início das obras, como fez o governo. "A OIT (Organização Internacional do Trabalho) não obriga consulta prévia à autorização, basta que seja prévia à instalação da usina", conclui o desembargador.

Ainda na defesa de seu voto, Fagundes de Deus afirmou que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) tomou todas as providências necessárias para que os efeitos ambientais fossem mensurados e mitigados. Segundo ele, nenhuma terra indígena será atingida diretamente por alagamentos, argumento dado também pelo governo e pelo consórcio responsável pela obra.

A discussão sobre o assunto começou em 2006, quando o MPF entrou com uma ação na Justiça Federal do Pará contestando o fato de o Congresso Nacional não ter promovido a oitiva dos povos indígenas antes da autorização da construção da usina, o que ocorreu por meio de projeto de decreto legislativo. Para o órgão, essa oitiva prévia é um requisito estabelecido pela própria Constituição para proteger esses povos de acordos que podem se mostrar prejudiciais futuramente. A ação que está sendo julgada é uma das 12 ações civis públicas que o MPF-PA já empetrou na Justiça pedindo a paralisação da obra.

Por Virginia Toledo
Fonte: Rede Brasil Atual
Sexto ministro a cair, Orlando Silva deixa EsporteApós duas semanas de desgaste por suspeitas de irregularidades no Ministério do Esporte, o titular da pasta, Orlando Silva, entregou seu pedido de demissão à presidenta Dilma Rousseff nesta quarta-feira (26). A saída foi confirmada pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, mas ainda não é dada como definida pela assessoria de imprensa do ministério. Ele é o sexto a deixar a Esplanada dos Ministérios em dez meses de governo, na oitava mudança de cadeiras. Dessas, cinco envolveram denúncias de corrupção ou tráfico de influência.
O sucessor deve ser indicado pelo PCdoB, partido de Orlando Silva. Waldemar Manoel Silva de Souza, secretário-executivo da pasta, deve ser mantido como ministro interino. Ele e o presidente da legenda, Renato Rabelo, estão em reunião com a presidenta no final da tarde desta quarta. Apesar de um encontro ter acontecido na última sexta-feira (21), o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter aceito pedido de abertura de inquérito contra o ministro na terça (25) serviu como gota d'água para os comunistas decidirem deixar de apoiar a permanência na pasta.
Apesar da queda, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, autor do pedido de investigação, afirmou que a necessidade do inquérito é mantida mesmo com o afastamento. A declaração foi feita antes da confirmação do pedido de demissão. Para ele, há indícios de "sérios problemas de irregularidades em todo o país" no programa Segundo Tempo, principal alvo das denúncias.
Nos últimos seis meses, pelo menos um nome deixou o primeiro escalão do governo após ser citado em suspeitas de corrupção. Antonio Palocci (Casa Civil), em junho, seguindo Alfredo Nascimento (senador do PR-AM), em julho, de Wagner Rossi (PMDB), da Agricultura, em agosto, e Pedro Novais (deputado federal do PMDB-MA), do Turismo. Em agosto, Nelson Jobim, também do PMDB, afastou-se da Defesa por desgaste político. Ideli Salvatti e Luiz Sérgio trocaram de cadeiras, permanecendo atualmente na Secretaria de Relações Institucionais e no Ministério da Pesca, respectivamente.
De todas as quedas, apenas Palocci é do PT. Os demais são de partidos aliados, formando a coalizão que concedeu à presidenta a maior base de sustentação no Congresso Nacional desde a redemocratização. Apesar disso, Orlando Silva é o primeiro de partidos à esquerda da base aliada.

Orlando Silva

Antes de ser ministro, Orlando Silva foi secretário nacional de Esporte na gestão de Agnelo Queiroz, atualmente no PT e governador do Distrito Federal, secretário nacional de Esporte Educacional e secretário-executivo do Ministério do Esporte durante primeiro mandato do governo Lula. E assumiu o ministério em 2006, justamente no posto de Queiroz.
Não foram divulgadas informações sobre a permanência de Orlando nos conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Ibero-Americano do Esporte (CID), Sul-Americano do Esporte (Consude), e na presidência do Conselho Americano do Esporte (Cade).
No final de 2007, Orlando Silva havia sido citado no caso de gastos irregulares com cartões de crédito corporativos do governo federal. O ministro teria feito pagamentos em restaurantes em dias que não tinha compromissos oficiais. O desencontro, seria, no entanto, fruto de problemas na divulgação da agenda. Mesmo tendo sido isentado no relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou o tema.
Soteropolitano, formado em Direito e em Ciências Sociais, foi militante estudantil e chegou a presidir a União Nacional dos Estudantes (UNE) de 1995 a 1997. Logo após a posse, ele entrou em polêmica ao criticar o então ministro do Planejamento, José Serra (que na década de 60 ocupou a chefia da UNE, período em que o prédio dos estudantes foi invadido e incendiado pelos militares). “Ele (Serra) retrocedeu, mudou para pior e hoje compactua com os interesses dos que queimaram a UNE”, Silva afirmou, em junho de 1995.
Ele também participou da Juventude Socialista (UJS) e da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), nos anos 1990.

Fonte: Rede Brasil Atual

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resistir à construção de Belo Monte





No primeiro dia do Seminário Contra Belo Monte, a palavra de ordem foi RESISTÊNCIA.
O evento conta com a presença de pessoas de vários estados do país. Grande parte dos participantes são indígenas.
Idealizado pelo CIMI e construído por várias entidades sociais, o evento tem como objetivo tirar deliberações concretas para impedir a construção da usina hidrelétrica no Rio Xingu.
Na programação de hoje, teve uma mesa de discussão com os índios e outra com os pescadores. Nas falas dos pescadores sentimos a apreensão dessa categoria, por não terem mais após a construção da barragem como continuar com suas atividades de pesca, suas formas de subsistência. 
Por Maria Fernanda Linhares

[Belo Monte] ‘Quem não deve, não teme’

Governo brasileiro foge de audiência sobre Belo Monte na Comissão de Direitos Humanos da OEA
Convocado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a participar, em 26 de outubro, de uma audiência em Washington sobre o não cumprimento de medidas cautelares de proteção das populações indígenas do Xingu, o Governo Federal anunciou, na última sexta, 21, que não comparecerá.
Em abril deste ano, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA determinou que o Estado brasileiro suspendesse as obras de Belo Monte e que adotasse medidas urgentes para proteger a vida e a integridade pessoal dos membros das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. Surpreendentemente, o governo brasileiro, além de descumprir as medidas internacionais e conceder a Licença de Instalação do empreendimento, adotou uma postura inédita de ameaça, desrespeito e deslegitimação do sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, repetindo no Itamaraty a forma autoritária que adotou nos processos internos de licenciamento da usina. A retirada da candidatura à CIDH do ex-Ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi e a ameaça de suspender o pagamento da contribuição à OEA foram alguns dos expedientes de chantagem usados pelo Estado brasileiro após a determinação internacional de suspender Belo Monte.
No dia 26 de setembro de 2011, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA convocou o governo brasileiro e as organizações que representam as comunidades indígenas (Movimento Xingu Vivo para Sempre, Sociedade Paraense de Direitos Humanos, Justiça Global, AIDA) para uma reunião de trabalho na próxima quarta-feira, dia 26 de outubro, em Washington, sede da Comissão Interamericana. Desde então, as comunidades e as organizações peticionárias vinham buscando recursos para garantir que Sheyla Juruna e Antonia Melo, da coordenação do Movimento Xingu Vivo para Sempre, viajassem desde Altamira, no Pará, até os Estados Unidos, para participar da audiência. A comunicação do governo à CIDH e aos peticionários, de que o Brasil "não se fará representar”, pegou a todos de surpresa.
A decisão do Brasil ocorreu dias depois do julgamento da ACP 2006.39.03.000711-8, que exige o cumprimento do artigo 231 da Constituição e da Convenção 169 da OIT, para que o Congresso Nacional realize a consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas afetados por Belo Monte. No último dia 17, a desembargadora Selene Almeida, do Tribunal Regional federal da Primeira Região (TRF1), de u voto favorável ao requerimento, que então foi objeto de pedido de vistas pelo desembargador Fagundes de Deus.
A postura do Brasil tem poucos precedentes na História, e pode ser comparada à de Trinidad e Tobago (1998) e do Peru (1999) que, governado por Fujimori e insatisfeito com as decisões da Comissão e da Corte Interamericana, ameaçou sair do sistema interamericano. Vários especialistas da região têm avaliado que o Brasil passou a desempenhar, a partir deste ano, um papel chave para debilitar a Comissão Interamericana.
Em toda a história da participação no sistema interamericano, esta é a primeira vez que o Brasil falta uma reunião de trabalho convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. A decisão expõe a covardia de um governo que, sabendo das ilegalidades e arbitrariedades cometidas no processo de licenciamento e construção de Belo Monte, evita ser novamente repreendido publicamente pela Comissão. Mas não só isso: o Estado brasileiro dá ao mundo um triste exemplo de autoritarismo e truculência, deixando claro que o país estará fechado para o diálogo quando for contrariado em instâncias internacionais.
Belo Monte: símbolo da sanha ditatorial
Em 1989, após passar por 21 anos de ditadura militar, o Brasil se preparava para as primeiras eleições diretas para presidente desde 1960. Cerca de três mil pessoas se reuniram na cidade de Altamira, no Pará, para participar do I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, um marco democrático da luta em defesa da Amazônia. Quando o então presidente da Eletronorte apresentou as intenções do Governo de construir a mega-usina hidrelétrica de Kararaô, na Volta Grande do rio Xingu, a índia Tuíra se aproximou da mesa e, em um gesto emblemático, encostou o facão nas faces do "homem branco”. A imagem correu o mundo, e sua força e dramaticidade serviram para disseminar o grito de indignação dos indígenas contra as intenções de governantes e empresários de construir um complexo hidrelétrico em uma das regiões de maior biodiversidade da Amazônia.
Há poucos anos, seria difícil imaginar que aquele projeto, desenvolvido quando vivíamos páginas infelizes de nossa História e praticamente sepultado durante o processo de redemocratização do país, seria ressuscitado com outro nome: Belo Monte. Pior: que, justamente em um momento de afirmação e consolidação de nossas conquistas democráticas, este projeto seria imposto de forma autoritária, desrespeitando a vontade dos povos da Amazônia, violando a legislação brasileira e ignorando tratados e mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos.
O Governo de Dilma reforça mais uma vez a cara dupla que assumiu quando o assunto é direitos humanos: para fora, nas tribunas e púlpitos da ONU ou da imprensa estrangeira, discursos exemplares; para dentro, no quintal de casa, uma postura arbitrária e a relativização dos direitos de alguns brasileiros que estão no caminho dos seus planos e projetos.
As organizações abaixo assinadas repudiam veementemente o não comparecimento do governo brasileiro em audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, e, mais uma vez, afirmam a necessidade de que a construção da hidrelétrica de Belo Monte seja imediatamente suspensa, para que sejam respeitados os direitos dos habitantes do município de Altamira e de todas as comunidades tradicionais do Xingu.
24 de outubro de 2011.
Assinam esta Nota:
Movimento Xingu Vivo para Sempre
Justiça Global
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
Prelazia do Xingu
Conselho Indigenista Missionário
Dignitatis - Assessoria Técnica Popular
Movimento de Mulheres de Altamira Campo e Cidade
Rede Justiça nos Trilhos
Associação dos Indígenas Juruna do Xingu do KM 17
Mutirão pela Cidadania
Mariana Criola - Centro de Assessoria Popular

Fonte: Adital

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Transamazônica é trancada por manifestantes contra o Prefeito de Vitória do Xingu




Manifestantes  de Vitória do Xingu trancam a Transamazônica no trecho próximo ao KM 18. O protesto dar-se por que houve a libertação do Prefeito Liber, e o povo pedi a cassação do mesmo, fato que até agora os vereadores não esboçaram nenhuma reação para fazer.
Devido aos protestos, os trabalhadores da obra de Belo Monte tiveram que voltar pra casa.

Por Paulo Villa Real

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Audiência Pública para discutir atendimento às famílias atingidas por Belo Monte na área urbana de Altamira


O Ministério Público Federal em Altamira marcou para esta quarta-feira(19), uma Audiência Pública para discutir a respeito do atendimento às famílias da área urbana do município que serão atingidas pelo lago de Belo Monte. O evento será realizado a partir das 19 horas na Casa da Cultura.
Para o evento foram convidadas toda a comunidade sujeita aos impactos, representantes do Ministério Público do Estado e do consórcio Norte Energia, entre outras instituições.
Segundo o MPF e lideranças comunitárias, ainda há uma grande dúvida sobre quais serão as áreas atingidas, quando se darão esses impactos, para onde as famílias serão remanejadas, qual será o valor das indenizações e qual será o modelo de imóvel e bairro a ser construído.
Por Maria Fernanda Linhares