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"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros". (Che Guevara)
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Para entender o julgamento do ‘mensalão’


Ao se encerrar o processo penal de maior repercussão pública dos últimos anos, é preciso dele tirar as necessárias conclusões ético-políticas.
Comecemos por focalizar aquilo que representa o nervo central da vida humana em sociedade, ou seja, o poder.
No Brasil, a esfera do poder sempre se apresentou dividida em dois níveis, um oficial e outro não-oficial, sendo o último encoberto pelo primeiro.
O nível oficial de poder aparece com destaque, e é exibido a todos como prova de nosso avanço político. A Constituição, por exemplo, declara solenemente que todo poder emana do povo. Quem meditar, porém, nem que seja um instante, sobre a realidade brasileira, percebe claramente que o povo é, e sempre foi, mero figurante no teatro político.
Ainda no escalão oficial, e com grande visibilidade, atuam os órgãos clássicos do Estado: o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e outros órgãos auxiliares. Finalmente, completando esse nível oficial de poder e com a mesma visibilidade, há o conjunto de todos aqueles que militam nos partidos políticos.
Para a opinião pública e os observadores menos atentos, todo o poder político concentra-se aí.
É preciso uma boa acuidade visual para enxergar, por trás dessa fachada brilhante, um segundo nível de poder, que na realidade quase sempre suplanta o primeiro. É o grupo formado pelo grande empresariado: financeiro, industrial, comercial, de serviços e do agronegócio.
No exercício desse poder dominante (embora sempre oculto), o grande empresariado conta com alguns aliados históricos, como a corporação militar e a classe média superior. Esta, aliás, tem cada vez mais sua visão de mundo moldada pela televisão, o rádio e a grande imprensa, os quais estão, desde há muito, sob o controle de um oligopólio empresarial. Ora, a opinião – autêntica ou fabricada – da classe média conservadora sempre influenciou poderosamente a mentalidade da grande maioria dos membros do nosso Poder Judiciário.
Tentemos, agora, compreender o rumoroso caso do "mensalão”.
Ele nasceu, alimentou-se e chegou ao auge exclusivamente no nível do poder político oficial. A maioria absoluta dos réus integrava o mesmo partido político; por sinal, aquele que está no poder federal há quase dez anos. Esse partido surgiu, e permaneceu durante alguns poucos anos, como uma agremiação política de defesa dos trabalhadores contra o empresariado. Depois, em grande parte por iniciativa e sob a direção de José Dirceu, foi aos poucos procurando amancebar-se com os homens de negócio.
Os grandes empresários permaneceram aparentemente alheios ao debate do "mensalão”, embora fazendo força nos bastidores para uma condenação exemplar de todos os acusados. Essa manobra tática, como em tantas outras ocasiões, teve por objetivo desviar a atenção geral sobre a Grande Corrupção da máquina estatal, por eles, empresários, mantida constantemente ematividade magistralmente desde Pedro Álvares Cabral.
Quanto à classe média conservadora, cujas opiniões influenciam grandemente os magistrados, não foi preciso grande esforço dos meios de comunicação de massa para nela suscitar a fúria punitiva dos políticos corruptos, e para saudar o relator do processo do "mensalão” como herói nacional. É que os integrantes dessa classe, muito embora nem sempre procedam de modo honesto em suas relações com as autoridades – bastando citar a compra de facilidades na obtenção de licenças de toda sorte, com ou sem despachante; ou a não-declaração de rendimentos ao Fisco –, sempre esteve convencida de que a desonestidade pecuniária dos políticos é muito pior para o povo do que a exploração empresarial dos trabalhadores e dos consumidores.
E o Judiciário nisso tudo?
Sabe-se, tradicionalmente, que nesta terra somente são condenados os 3 Ps: pretos, pobres e prostitutas. Agora, ao que parece, estas últimas (sobretudo na high society) passaram a ser substituídas pelos políticos, de modo a conservar o mesmo sistema de letra inicial.
Pouco se indaga, porém, sobre a razão pela qual um "mensalão” anterior ao do PT, e que serviu de inspiração para este, orquestrado em outro partido político (por coincidência, seu atual opositor ferrenho), ainda não tenha sido julgado, nem parece que irá sê-lo às vésperas das próximas eleições. Da mesma forma, não causou comoção, à época, o fato de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse sido publicamente acusado de haver comprado a aprovação da sua reeleição no Congresso por emenda constitucional, e a digna Procuradoria-Geral da República permanecesse muda e queda.
Tampouco houve o menor esboço de revolta popular diante da criminosa façanha de privatização de empresas estatais, sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso. As poucas ações intentadas contra esse gravíssimo atentado ao patrimônio nacional, em particular a ação popular visando a anular a venda da Vale do Rio Doce na bacia das almas, jamais chegaram a ser julgadas definitivamente pelo Poder Judiciário.
Mas aí vem a pergunta indiscreta: – E os grandes empresários? Bem, estes parecem merecer especial desvelo por parte dos magistrados.
Ainda recentemente, a condenação em primeira instância por vários crimes econômicos de um desses privilegiados, provocou o imediato afastamento do Chefe da Polícia Federal, e a concessão de habeas-corpus diretamente pelo presidente do Supremo Tribunal, saltando por cima de todas as instâncias intermediárias.
Estranho também, para dizer o mínimo, o caso do ex-presidente Fernando Collor. Seu impeachment foi decidido por "atentado à dignidade do cargo” (entenda-se, a organização de uma empresa de corrupção pelo seu fac-totum, Paulo Cezar Farias). Alguns "contribuintes” para a caixinha presidencial, entrevistados na televisão, declararam candidamente terem sido constrangidos a pagar, para obter decisões governamentais que estimavam lícitas, em seu favor. E o Supremo Tribunal Federal, aí sim, chamado a decidir, não vislumbrou crime algum no episódio.
Vou mais além. Alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, ao votarem no processo do "mensalão”, declararam que os crimes aí denunciados eram "gravíssimos”. Ora, os mesmos Ministros que assim se pronunciaram, chamados a votar no processo da lei de anistia, não consideraram como dotados da mesma gravidade os crimes de terrorismo praticados pelos agentes da repressão, durante o regime empresarial-militar: a saber, a sistemática tortura de presos políticos, muitas vezes até à morte, ou a execução sumária de opositores ao regime, com o esquartejamento e a ocultação dos cadáveres.
Com efeito, ao julgar em abril de 2010 a ação intentada pelo Conselho Federal da OAB, para que fosse reinterpretada, à luz da nova Constituição e do sistema internacional de direitos humanos, a lei de anistia de 1979, o mesmo Supremo Tribunal, por ampla maioria, decidiu que fora válido aquele apagamento dos crimes de terrorismo de Estado, estabelecido como condição para que a corporação militar abrisse mão do poder supremo. O severíssimo relator do "mensalão”, alegando doença, não compareceu às duas sessões de julgamento.
Pois bem, foi preciso, para vergonha nossa, que alguns meses depois a Corte Interamericana de Direitos Humanos reabrisse a discussão sobre a matéria, e julgasse insustentável essa decisão do nosso mais alto tribunal.
Na verdade, o que poucos entendem –mesmo no meio jurídico– é que o julgamento de casos com importante componente político ou religioso não se faz por meio do puro silogismo jurídico tradicional: a interpretação das normas jurídicas pertinentes ao caso, como premissa maior; o exame dos fatos, como premissa menor, seguindo logicamente a conclusão.
O procedimento mental costuma ser bem outro. De imediato, em casos que tais, salvo raras e honrosas exceções, os juízes fazem interiormente um pré-julgamento, em função de sua mentalidade própria ou visão de mundo; vale dizer, de suas preferências valorativas, crenças, opiniões, ou até mesmo preconceitos. É só num segundo momento, por razões de protocolo, que entra em jogo o raciocínio jurídico-formal. E aí, quando se trata de um colegiado julgador, a discussão do caso pelos seus integrantes costuma assumir toda a confusão de um diálogo de surdos.
Foi o que sucedeu no julgamento do "mensalão”.
Por Fábio Konder Comparato
Fonte: ADITAL

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

STF, Supremo Tribunal da Santa Inquisição (Do que são culpados Zé Dirceu e os dirigentes do PT?)


O jornal O Estado de São Paulo noticiava em 19 de setembro que “Barbosa julgará Dirceu próximo ao 1º turno das eleições”. Só a iniciativa de concentrar os holofotes sobre o julgamento nas vésperas das eleições já dá uma ideia dos objetivos inconfessáveis, da mediocridade de espírito dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas, o espetáculo farsesco montado na suprema corte tem objetivos políticos muito maiores do que atingir o PT nas eleições de 2012. 
A “justiça” leia-se o sistema judiciário da classe dominante, não passa de "Teias de aranha que prendem os pequenos insetos e liberam os grandes", como dizia Anacharsis, filósofo que viveu na Grécia antiga.
O que pretende o STF é através do ataque aos dirigentes do PT atingir todas as organizações de luta da classe trabalhadora, “demonstrando” que os trabalhadores e organizações são imorais criminosos e que não podem ou devem ousar se levantar como classe frente à burguesia. Pouco importa se os atuais dirigentes do PT deixaram de lado a luta de classes e tentam ajudar a criar um impossível capitalismo desenvolvido no Brasil.
O método do julgamento é a criminalização da ação política dos trabalhadores e dos dirigentes das organizações que as massas construíram e reconhecem como suas. Provas?! Ora, para que provas se todos sabem que eles são culpados!
O Inquisidor–Geral da República Roberto Gurgel declarou que este é o julgamento mais importante da história do Brasil. Este é o sentimento (na visão estreita e ridícula) de toda esta gente que não abriu a boca quando FHC comprou no Congresso a mudança da lei para um segundo mandato. Essa gente que anistia os crimes da Ditadura Militar contra todo o povo brasileiro. As escandalosas fraudes das privatizações-doações do patrimônio público, feitas por FHC e seus deputados e senadores.  A Vale foi avaliada e vendida por 4 bilhões, mas um ano depois estava no mercado valendo 120 bilhões.  Aqui essa gente não percebeu crime!
O Tribunal de Inquisição montado em Brasília é o ponto culminante de um processo de criminalização da luta política e social dos trabalhadores que tem conhecido uma crescente disposição em todo o judiciário, incentivado pela imprensa.
A verdadeira culpa que carregam Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo, Lula e outros dirigentes do PT é de terem subordinado os interesses da classe trabalhadora aos interesses do capital, de conduzirem uma política reformista do capital e de se aliarem aos inimigos de classe. Mas, esta é a política em que eles acreditam e quem deve julgar politicamente isto e resolver a questão é a classe trabalhadora e a história.
A burguesia, suas instituições, sua mídia empreendem uma ofensiva brutal contra a classe trabalhadora
Como centenas de outros em todo o Brasil um juiz de Campinas ao deferir liminar contra uma ocupação escreve, falando do MST:
Em sua posição sistemática contra a propriedade, amparado pela vista permissiva do Governo Federal, cujo partido o pariu e fomentou suas estripulias éticas durante os anos do Governo FHC, o Movimento a que pertence o réu conjugou com sucesso métodos de guerrilha a ataques de organizações terroristas. A propriedade, direito natural por excelência, deve atender sua função social, atributo reconhecido desde a CF/88 e reprisado pelo Código Civil de 2002. Entretanto, em um retrospecto histórico do direito de propriedade, podemos perceber várias nuances, que vão desde a concepção liberal até a posição de Michel Proudhon, para o qual a propriedade é um roubo, sustentáculo teórico do desenvolvimento a respeito do assunto de várias correntes socialistas, sobretudo o marxismo”. DECISÃO LIMINAR (21.11.2008 – Dr. André Gonçalves Fernandes)
Já Sarney nomeia uma comissão coordenada pelo Ministro do STJ, Gilson Dipp, (aquele que foi nomeado por Dilma e coordena a Comissão da Verdade!) para “atualizar” o Código Penal. Estes “notáveis” propõem introduzir no Código Penal o crime de “Terrorismo” que além do óbvio (bombas, etc.) definiria terrorismo como:
  • invadir qualquer bem público ou privado;
  • interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática e bancos de dados.
  • sabotar o funcionamento ou apoderar-se do controle de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, inclusive instalações militares.
Assim como:
  • forçar autoridades públicas a fazer o que a lei não exige ou deixar de fazer o que a lei não proíbe.
Ou seja, criminaliza como terrorismo desde greves a manifestações, ocupações, etc., enfim todos os movimentos sociais.
Cada vez mais se sente o ódio de classe exposto através do judiciário, especialmente contra greves, ocupações e mobilizações. E isso apesar da humilhante ingenuidade dos governantes que indicaram oito (todos de extrema direita!) dos atuais doze ministros da Inquisição. Apesar de todas as tentativas dos dirigentes do PT e do governo de serem simpáticos e “realistas”, como se eles pudessem ser assimilados pela burguesia enquanto continuam a dirigir um partido político de classe.  Mesmo com sua política eles são odiados pela burguesia que tremia de medo quando o PT ganhou com Lula e uma maré vermelha deu posse ao operário metalúrgico em Brasília.
A ação do STF é muito clara. E ela, sim, é uma farsa histórica. Mas, o que deveria impressionar também é que os dirigentes acusados não reagem politicamente. Genoíno acaba de declarar que “confia na justiça”. João Paulo Cunha, segundo a imprensa, “chora o tempo todo”. E Zé Dirceu, que fez a besteira de “sair do Planalto para combater na planície”, segundo suas palavras na época da renúncia da Casa Civil, foi cassado sumariamente, acusado, caluniado, tratado como um criminoso e agora declara que “não pretende sair do país”.  Ou seja, diz que está pronto para ser preso ao invés de denunciar a farsa e conclamar a mobilização política contra a inquisição do PT e dos movimentos sociais. O companheiro Zé não precisa sair do país. Para desmontar esta farsa, deveria, isso sim, junto com Lula e Dilma, levantar o povo trabalhador e a juventude contra esta Inquisição.
O julgamento do STF é um ato político completamente tendencioso e as condenações são ditadas por seus objetivos, pouco importando que haja ou não provas. É só juntar as partes e a farsa surge clara.
“Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei”
Esta frase, atribuída a Getúlio Vargas, desvenda a alma tenebrosa dos nove ministros do Supremo que se debruçam como corvos sobre a nação.  E como se vê agora no julgamento, se a lei também não puder ser usada porque provas não existem, então muda-se a lei, ali mesmo no STF, pouco importando o que está escrito na própria Constituição.
Se o STF pretende interferir nas eleições de 2012, lembramos que ele nada fez para interferir nas eleições de 1989 quando a Rede Globo fraudou o último debate entre Collor e Lula, que a suprema corte não se moveu quando a Polícia Federal armou a farsa do sequestro de Abílio Diniz por falsos militantes do PT. Afinal, o STF tem lado. E seu lado é o lado da classe dominante muito claramente. Este tribunal tem a função máxima de zelar pelo sossego e salvação do domínio da classe capitalista sobre toda a sociedade. Sua função é política e nada tem a ver com tal “administração de justiça”.  Este Tribunal que inocentou Collor de Melo, apesar do caminhão de provas existentes, agora pretende condenar a cúpula do PT sem provas de qualquer valor e com uma acusação que para eles vale como prova já que foi feita.
Até gente insuspeita de petismo como o jornalista Jânio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo, afirma isso em um artigo intitulado “Dois pesos e dois mensalões”, publicado na FSP. Ele escreve:
“... São os nove contrários a desdobrar-se o julgamento do mensalão, ou seja, a deixar no STF o julgamento dos três parlamentares acusados e remeter o dos outros 35, réus comuns, às varas criminais.De acordo com a praxe indicada pela Constituição (grifos nossos).
Proposto pelo advogado Márcio Thomaz Bastos e apoiado por longa argumentação técnica de Lewandowski, o possível desdobramento exaltou Barbosa: “Essa questão já foi debatida aqui três vezes! Esta é a quarta!” Não era. Antes houve mais uma. As três citadas por Barbosa tratavam do mensalão agora sob julgamento. A outra foi a que determinou o desdobramento do chamado mensalão mineiro ou mensalão do PSDB. Neste, o STF ficou de julgar dois réus com “foro privilegiado”, por serem parlamentares, e remeteu à Justiça Estadual mineira o julgamento dos outros 13.
...
Os nove ministros que recusaram o desdobramento do mensalão petista calaram a respeito, ao votarem contra a proposta de Márcio Thomaz Bastos.
...
Os dois mensalões também não receberam idênticas preocupações dos ministros do Supremo quanto ao risco de prescrições, por demora de julgamento. O mensalão do PSDB é o primeiro, montado já pelas mesmas peças centrais - Marcos Valério, suas agências de publicidade SMPB e DNA, o Banco Rural. Só os beneficiários eram outros: o hoje deputado e ex-governador Eduardo Azeredo e o ex-vice-governador e hoje senador Clésio Andrade.
A incoerência do Supremo Tribunal Federal, nas decisões opostas sobre o desdobramento, é apenas um dos seus aspectos comprometedores no trato do mensalão mineiro. A propósito, a precedência no julgamento do mensalão do PT, ficando para data incerta o do PSDB e seus dois parlamentares, carrega um componente político que nada e ninguém pode negar.
A Polícia Federal também deixa condutas deploráveis na história do mensalão do PSDB. Aliás, em se tratando de sua conduta relacionada a fatos de interesse do PSDB, a PF tem grandes rombos na sua respeitabilidade.”
O jornalista tem ilusões no que é a PF. Mas, qualquer militante socialista sabe que ela é uma polícia de classe, também. E há um consenso entre os poderes dominantes em que agora é a hora de desferir um golpe profundo na classe trabalhadora atingindo seus dirigentes.
A Santa Aliança contra a classe trabalhadora e suas organizações
A Folha de S. Paulo repercutiu a declaração do Inquisidor-geral da República, Roberto Gurgel, (31/8), de que:
o STF está no caminho certo para condenar Dirceu” (grifo nosso). Diz a FSP: “A declaração foi feita durante a posse do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Felix Fischer. Gurgel avaliou ainda que os votos proferidos, até o momento, representam “uma guinada” (grifo nosso), já que a corte se mostrou aberta a aceitar “provas mais tênues” (grifo nosso) para condenar réus acusados de crimes de corrupção e peculato. O procurador-geral afirmou ainda que este é um momento muito importante para a Justiça Penal porque há o reconhecimento de que, nesses casos, não se pode exigir o mesmo tipo de provas obtidas em “crimes comuns” como roubo e assassinato (FSP, 01/09/2012) (grifo nosso).
Nos séculos 17 e 18, as revoluções burguesas da Inglaterra, dos Estados Unidos, da França liquidaram a “justiça” exercida pelos nobres ou pela Igreja, que não necessitava de provas, pois apenas servia para realizar o desejo dos poderosos e, se necessário, fabricavam as provas através da tortura. As revoluções burguesas instituíram outra “justiça”, que exigia provas do crime e que a acusação tenha lógica como, por exemplo, “a quem o crime beneficia”.
Aqui não há provas e quem se beneficiou de projetos do governo Lula senão a própria burguesia ou setores dela? Que beneficio tirou o governo “contra” a maioria do Congresso em seu próprio benefício ou do PT?!
O STF, que é o guardião “supremo” do “direito à propriedade privada”, age como a Santa Aliança atuava contra as revoluções democráticas em defesa do absolutismo. No caso presente atua contra a classe trabalhadora para barrar o caminho da luta contra este regime podre e pelo socialismo. E ataca a classe através do ataque aos dirigentes das organizações de massa. Pouco lhes importa que a política destes dirigentes de fato se restrinja a “desenvolver o capitalismo nacional” como afirma a resolução do 4º Congresso do PT. É só ver o que se passou com Luís Carlos Prestes que a vida toda dirigiu o PCB praticando uma política ativa de apoio à burguesia e ao capital, mas teve que viver quase toda a vida clandestino ou na cadeia. Seu crime era dirigir um partido que tinha o nome de comunista.
Para o STF, neste julgamento de classe, as declarações da polícia e a acusação do procurador são provas suficientes. Todas as relações políticas entre os dirigentes do PT, ou do governo, são apenas a demonstração dos objetivos criminosos de uma quadrilha. Lula e o Diretório Nacional do PT deveriam ser incriminados como organização criminosa. Toda a cúpula do governo Lula, ele incluído, e todos os ministros presos. Mas eles não fazem isso porque temem ir longe demais, atingindo diretamente Lula teriam que se ver com as massas nas ruas. Só a desequilibrada revista de extrema direita, a Veja, não percebe os limites que o STF cuida de não ultrapassar e se entrega à sua sanha de sangue. Não se pode procurar outra lógica neste julgamento que não a lógica política do linchamento político do PT e das organizações dos trabalhadores.
Assim como hoje no STF, aconteciam os julgamentos no regime de Vichy, na França governada por fascistas. Eram os tribunais sobre raça na Alemanha nazista. E nos processos de Moscou vimos Vichinsky como Gurgel e o STF como o tribunal de Stálin que condenou Zinoviev, Kamenev, Bukharin e Trotsky como agentes do nazismo, do micado japonês e do fascismo.
Os julgamentos (quando não se fuzilava sumariamente) eram assim em todas as ditaduras. Inclusive na brasileira. Continua sendo assim na China, Coréia, no Irã. Nos EUA, mais sofisticados, os advogados dos presos de Guantánamo são perseguidos por patrocinar a causa de pessoas "indefensáveis" (Mark P. Denbeaux , The Guantanamo Lawyers: Inside a Prison Outside the Law, 2009).
Os réus atuais são “indefensáveis”, segundo o Supremo que, sendo generoso, e para cumprir o rito, deu-se ao trabalho de ouvir a defesa, apesar de que não lhe importa o que ela diga. O voto já está pronto e redigido.
E jornalistas burgueses exultam com a atitude do STF considerando que a manifestação dos juízes evidencia a tendência em extirpar qualquer resquício de tolerância à corrupção e de resignação com a impunidade.” (FSP, 01/09/2012) Colunistas, articulistas, repórteres e editoriais unidos fazem coro à firmeza e correção do STF que “afinal faz justiça”!
A política comanda tudo
A tese da acusação formulada por Roberto Jefferson, aliado e coligado de todos os agora acusados, é de que Dirceu e a direção do PT pagavam mesada para deputados votarem a favor de projetos do governo. A tese é politicamente absurda.
Todo mundo sabe que não é assim que os governantes compram deputados e senadores. A compra é feita via liberação de emendas ao Orçamento Federal ou aprovação de leis que beneficiam diretamente os parlamentares ou seus amigos financiadores. E há muitas outras medidas do que o método completamente idiota de pagar “mesada”.
Além do que, todo mundo sabe como funcionam os partidos “aliados” e também os de oposição. Uma coisa é certa no Brasil: Historicamente os partidos de direita se enriquecem e enriquecem os latifundiários, os empresários tupiniquins, seus parentes e financiadores e ainda fazem bondades ao capital internacional usando o aparato de Estado, as leis e o Orçamento Federal. O Estado, além de aparato repressivo contra a classe trabalhadora é o Comitê Central para o enriquecimento da burguesia.
O único caminho
A hipocrisia e o ódio de classe contra os trabalhadores espuma da boca de Joaquim Barbosa e de seus pares cínicos e arrogantes. O único caminho contra estes ataques é a mobilização da classe e da juventude desmascarando esta farsa e condenando este Tribunal de classe e de Inquisição. Os trabalhadores que entrarem no STF devem sempre ver inscrito na sua fachada o mesmo que Dante Alighieri disse estar inscrito na porta dos Infernos “Vós que entrais deixai aqui toda esperança”. Acrescentamos: se for da classe inimiga dos poderosos, porque para os inimigos existe a lei. Para os amigos, como FHC, Azeredo, Aécio, e outros, existe o STF.
O único caminho é a luta de classes contra esta perseguição e contra estas instituições. Isso passa pelo PT romper as alianças com os partidos de direita e com o capital e entrar na via da mobilização para construir outras instituições. Passa por parar de enfrentar os movimentos dos trabalhadores, as greves e manifestações e atender as reivindicações. O único caminho é este. O resto leva à desmoralização e ao inferno.
Se os dirigentes do PT entrarem em combate contra toda esta gente desde a base, podem contar com a Esquerda Marxista. E desde já com a solidariedade de classe que não reconhece direito ou legitimidade nas perseguições organizadas pelo judiciário contra nossa classe, suas organizações e dirigentes.
Fonte: Esquerda Marxista