Páginas

"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros". (Che Guevara)
Mostrando postagens com marcador greve. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador greve. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os “cães de guarda” estão soltos


A reportagem de capa da revista IstoÉ, edição 2.233, de 29 de agosto  ("Quem são os grevistas que desafiam o Brasil"), é reveladora do modelo de jornalismo praticado em solo nacional, aquele que já sai das redações com a tese pronta, só faltando encaixar os personagens. O "gancho" que sustenta praticamente toda a reportagem são os altos salários das lideranças sindicais do serviço público federal. Agora virou crime ser profissional qualificado e ganhar bem. E com um detalhe: concursado, ou seja, por mérito! A tese é lapidar: quem ganha bons salários não pode fazer greve!

Primeiro, é preciso corrigir a distorção. A maior parte dos servidores recentemente em greve é formada pelos que menos ganham no funcionalismo público federal, mas a revista preferiu buscar exemplos de categorias que ganham mais, para caracterizar o serviço público federal como uma casta de privilegiados. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, a maior parte dos servidores acumula perdas substanciais para a inflação (e o arrocho vai continuar, pois o governo pressionou – com o apoio da mídia – e pôs fim à greve). Ofereceu 15,8% a ser pago em três anos. Menos do que a inflação prevista para o período.

Há outras categorias profissionais, com menor poder aquisitivo e que mereceriam reajustes? Certamente! Cabe a cada categoria de trabalhadores saber como se organizar e reivindicar. E ao governo compete a tarefa política de ter uma política econômica e social muito mais transformadora do que a atual – que tem por mérito ser melhor do que as anteriores, mas longe ainda de superar os desafios abissais da concentração de renda no país.

A reportagem de IstoÉ acusa o "novo sindicalismo" de "ausência de conteúdo político nas manifestações" porque busca resultados financeiros. Ora, ora, para que servem os sindicatos? E pensar que no passado acusavam os sindicalistas justamente pelo conteúdo político! E não vamos nos esquecer dos sindicatos patronais, que atuam muito bem, obrigado! E não é pouco o que conseguem do caixa do governo, embora suas demandas nem sempre sejam divulgadas e, muito menos, criticadas. Só a hipocrisia da mídia parece não mudar nunca.

O final da reportagem é clichê: “Reivindicar melhores salários é legítimo, o que não é certo é deixar um país inteiro refém do movimento”. Ou seja, repetem sempre que a greve é um direito constitucional, mas não pode causar problemas a ninguém, nem ao governo, nem aos empresários, nem à população. Sobre a responsabilidade do governo, nenhuma palavra. Neste país dos absurdos, é garantido o direito à greve, só não se pode exercê-lo (sem ser duramente atacado pela mídia). O governo sinaliza com um projeto de lei no Congresso para regulamentar as greves no serviço público. Não era sem tempo. Mas alguém aí duvida que sobrarão para os trabalhadores apenas ônus e nenhum bônus? As consequências, para a qualidade do serviço público, com os servidores, na prática, impedidos de fazer greve, não tardará por se fazer sentir, em prejuízo da população. E da democracia!

Enquanto isso, ninguém debate os lucros em benefícios de poucos que fazem do Brasil um dos países com a pior distribuição de renda. Como se entre uma coisa e outra não houvesse relação de causa e efeito. Para se chegar a tanta exploração, o que se faz, basicamente, é transferir a renda (de todos os níveis de trabalhadores) para uma pequena parcela da população. É por isso que, cada vez que os trabalhadores – públicos ou privados – tentam reivindicar uma maior participação na distribuição da riqueza nacional, são duramente atacados, sob pretextos que não se sustentam numa análise mais apurada dos fatos. Análise que a mídia nunca faz com a isenção necessária, ou teríamos um outro país.

Se os serviços públicos – no todo ou em parte – são essenciais, precisam de uma legislação que igualmente os trate assim. No entanto, até hoje, o governo não reconhece uma data-base para negociar e não tem por hábito repor a inflação anual aos salários, como se o funcionalismo público federal não tivesse contas a pagar (que obviamente acompanham a inflação, ou, mesmo, aumentam acima dela). Alguns “patrões”, tanto da esfera privada quanto pública, só negociam de fato com greve. Antes disso, as negociações costumam ser apenas um jogo de aparências. Desde março, houve mais de 200 reuniões de várias categorias de servidores com o governo federal; no linguajar dos grevistas, praticamente só "enrolação".

E para quem ainda não entendeu esse jogo, é bom esclarecer que o governo é parte atuante nesse modelo de país excludente. Transfere a maior parte do que arrecada para alimentar uns poucos tubarões: somente em 2011 foram gastos R$ 708 bilhões com a "dívida pública" (leiam-se ganhos dos bancos e outros aplicadores, principalmente em papéis). Isso sem falar em isenções, subsídios, perdão de dívidas, doações de terrenos e imóveis, financiamentos a juros "especiais" etc. etc.

E antes que alguém se desinforme ainda mais: em 1995, o governo federal gastava, com a folha de salários do funcionalismo, 56% do que arrecadava; em 2011, gastou 32%. Esse “escândalo” a mídia não vê, porque distorce os fatos. E continua a falar em gastos excessivos do governo com os trabalhadores. É fácil enganar a opinião pública com exemplos isolados e descontextualizados. Ainda mais para uma população que se informa basicamente pela TV e pelos grandes jornais e revistas – que demonstram cada vez menos independência política e apreço por uma informação mais abrangente dos fatos, mais verdadeira. São os "cães de guarda" do grande capital, a serviço da exploração máxima do planeta e dos trabalhadores.

POR CELSO VICENZI  
Fonte: Correio da Cidadania

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Guarda Municipal : Quando o aparelho repressivo vira povo


A Guarda Municipal de Altamira fechou o prédio do Comando para forçar a Prefeita a uma negociação em relação ao aumento de salário e melhores condições de trabalho.
Muito me alegrou esses trabalhadores que também são explorados, e que outrora se sentiram a própria justiça, abusando do poder para fazer valer os anseios da burguesia. O intrigante nisso tudo é o fato deles usarem da força contra  outros trabalhadores por uns míseros R$ 486,00. Não que um valor maior justifique a força bruta contra o povo... mas, é papel que se prestam e ainda são mal remunerados, não se entendem também como vítimas dos sistema.
Agora que a crise apertou no bolso deles, fazem greve. Num passado bem próximo quando a crise dos aluguéis resultou nas ocupações urbanas, a Guarda Municipal bateu até em mulheres.
Talvez agora eles enxergaram porque aquele povo fez as ocupações: para pressionar o poder público a atender suas demandas.
Agora a Guarda municipal é povo fazendo pressão. Espero que amanhã eles se lembrem disso...

Por Maria Fernanda Linhares

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A culpa é do Estado


Tudo está muito complicado, os direitos expressos na Constituição do nosso país se alguém tenta garanti-los torna-se criminoso. Estamos retrocedendo na história.
Tenho acompanhado a greve dos professores da rede estadual de ensino, uma luta justa, simplesmente para que se cumpra a Lei do Piso Salarial, e por melhorias na condição de trabalho.
Depois de, mais de 40 dias de paralisação e várias tentativas de negociações frustradas, o Juiz Elder Lisboa Ferreira da Costa, titular da 1ª Vara de Fazenda da Capital, determinou que todos os professores voltassem ao trabalho, pois a greve passaria a ser ilegal. Caso houvesse descumprimento da ordem, aplicaria uma multa diária de 25 mil reais, que deverá ser paga pela presidência do sindicato. Ao Estado, determinou que pagasse o piso parcelado em 12 vezes.
Desde o inicio, a mídia patronal já vinha batendo nos professores, mas depois da ordem do juiz, os ataques se intensificaram. Vão às escolas e casas de alunos para mostrar o quanto estão sendo prejudicados com a greve, estão endemonizando os professores grevistas. Mas a história não é bem assim, a culpa da greve não é dos professores, A CULPA É DO GOVERNO ESTADUAL. Nenhum trabalhador fica de greve por que gosta, mas por conseqüência de falta de comprometimento do poder público com os aparelhos sociais, neste caso a educação. O único crime cometido aqui, é do Estado que não quer cumprir uma Lei nacional.
A mídia também poderia ir fazer uma entrevista com uma mãe ou um pai de família professor, para mostrar as condições de vida que tem que levar ganhando m mísero salário, que o secretário Nilson Pinto, insiste em dizer que é o bastante pra se manter.
É essa a democracia que vivemos, onde trabalhadores tornam-se criminosos por lutar por um salário digno e por melhorias na educação. Mas já sabíamos o que estava por vim, o que se esperar de um governo tucano?
Por Paulo Villa Real

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Professores da rede estadual de ensino continuam em greve



Ontem os trabalhadores da educação altamirense, fizeram mais uma caminhada pelas ruas. O motivo era expor à toda população que ainda estavam de greve, e explicitar os motivos da paralisação do trabalho.
A atividade iniciou em frente a escola Polivalente, percorrendo as principais ruas da cidade, e findando em frente ao prédio da 10ª URE que há dois anos está em construção.
Essa caminhada contou com a presença de muitos alunos, pois são eles um dos afetados diretos pela falta de investimento na educação, que passa pela má conservação dos prédios, falta de merenda escolar, falta ou insuficiência de recursos didáticos e péssima remuneração dos professores.
Na sexta-feira terá novamente uma reunião entre sindicato e governo estadual afim de que cheguem a um acordo pelo fim da greve.
Por Maria Fernanda Linhares